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ASSALTANDO O CÉU (ficção - português)
ONDE O MAL SE ESCONDE - Hora vinte e duas após a queda

ONDE O MAL SE ESCONDE - Hora vinte e duas após a queda

Poucas vezes tive o ódio e a frieza de um guerreiro. Mas aviso que não vou aceitar que me tirem isso que agora tenho.

O riso morreu, e as conversas animadas e as faces felizes se foram. As mãos gentis nos toques amigos apoiaram-se nos cabos das espadas, nos arcos e em neblinas que se revolviam nervosas, os olhos atentos e ameaçadores, encarando a onda que se aproximava.

- Como é fácil mudar uma face – cismou Gadhiel, vendo a modificação que ocorrera. - O mal incitando o mal, o mal não aceitando a companhia da luz.

Os treze se perfilaram ante a horda de vigilantes de olhares enraivecidos e magoados, arrogantes e desejosos de apenas destruir.

Anael dispôs todos num grande arco defensivo. Gadhiel se destacou, se aproximando da fileira dos vigilantes raivosos que se perfilavam no céu, a baixa altura, à frente deles.

- O que buscam aqui? Vemos suas faces, sentimos suas almas, e nos perguntamos: o que podemos fazer por vocês?

O que parecia ser o chefe deles se destacou também, e parou na frente de Gadhiel, o olhar zombeteiro encarando seus ferimentos.

- O serviçal, sempre implorando para que o deixem servir aos traidores – zombou

- O que podemos fazer por vocês? – Gadhiel repetiu a pergunta, os olhos duros fixos nos do outro.

- Nos servir, e não a eles.

- Não somos servos, de ninguém. Se pensou assim, é mais apalermado do que aparenta. Mas sei que vieram aqui apenas para essa provocação vazia e imbecil. Deveriam se envergonhar de serem tão tontos.

Com um sorriso esgarçado na cara o vigilante se girou no ar e encarou satisfeito sua tropa. Então se voltou novamente para Gadhiel, tocando com suavidade o solo, tal como todos os seus comandados.

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- Vocês, vocês nos envergonham, tratando com tanto desdém a traição de que todos fomos vítimas. E você é o grande culpado, caído – frisou o vigilante. – Como se não bastasse ficar sempre implorando para que o deixem ficar entre eles, ainda tem o desplante de se aliar com demônios, em total desconsideração ao nosso código que...

- Código de merda – estocou Gadhiel, os olhos sérios.

- Desistiu de querer nos ajudar? – debochou um outro vigilante às costas do chefe. – Achei que fosse querer nos salvar...

- Não sou eu que devo fazer isso. São vocês mesmos que se salvam, ou se perdem. Se a fruta não está madura, não há o que colher. Em todo o caso, as sementes caem no chão, e talvez algum dia germinem. Mas, não será hoje, porque vocês não estão prontos, nenhum de vocês.

- Pois então se prepare...

Nem bem o gigante terminara de sacar sua espada Gadhiel, com terrível velocidade, sacou a sua e atingiu o lado da cabeça do vigilante, que foi decepada de forma limpa. Os olhos do vigilante ainda o seguiam enquanto caia no chão.

O urro de raiva e ódio da multidão de vigilantes ecoou pelos morros, ao tempo que avançavam como uma onda escura sobre os treze.

Gadhiel a procurou ao lado, e a viu, maravilhosa, o corpo cinza se revolvendo no ar, girando e cortando, estocando e voando.

Sekhmet, entre uma peleja e outra, conseguiu sorrir ao ver como, sem que percebessem, os dois, Gadhiel e Layla, foram se aproximando. Em dado momento estavam eles, como se no campo de batalha só eles estivessem. Layla e Gadhiel fluíam como um só, atacando e aparando à esquerda e à direita, um girando sobre o outro, como se fosse participassem de um balé,

Então, satisfeita, conferiu que todos estavam se safando, os inimigos diminuindo rapidamente.

Porém, nas notícias do combate que se espalhavam, mais vigilantes foram chegando, engrossando as fileiras atacantes.

Gadhiel, vendo o que estava acontecendo, e que não tinham como vencer, mostrou para Layla e Anael os chefes dos vigilantes.

Então chamou para o seu lado Sekhmet e o gigante Bhantor, e explicou o que estava pensando.

De súbito, como se tivessem ficado loucos pelas batalhas, os três atacaram com desmedida violência um lado dos vigilantes, enquanto os outros oito atacavam pela frente, forçando a linha inimiga a se entortar para a esquerda, onde um paredão se erguia.

Layla e Anael viram o exato momento em que a linha se encontrou com o paredão, trazendo consigo os chefes do bando de vigilantes.

Então saltaram e, com uma terrível eficiência, para desespero dos vigilantes, rapidamente deram cabo da escolta e dos próprios chefes.

Sem o comando as linhas foram perdendo a compostura e foram se rompendo com grande velocidade, até que, de forma atabalhoada e repentina, os vigilantes sobreviventes se puseram em debandada.

- Não sabia que você podia ter tanta escuridão dentro de você – falou Layla, os olhos cansados postos no rosto duro de Gadhiel.

- A escuridão tem suas utilidades, de quando em quando – falou ele com um dolorido suspiro.